Vêm aí vários dias de calor intenso. A preocupação vai muito além da temperatura

Onda de calor intensa a caminho. Quarta-feira poderá ser o dia mais quente.

Portugal prepara-se para enfrentar uma onda de calor significativa durante a próxima semana, com temperaturas muito acima da média para a época do ano e um aumento gradual dos seus impactos no território.

Os modelos meteorológicos mantêm elevada confiança na subida gradual das temperaturas ao longo dos próximos dias, com o pico do calor a ocorrer entre terça e quarta-feira. Neste momento, tudo indica que a próxima quarta-feira poderá ser o dia mais quente deste episódio.

Em muitas regiões do país as temperaturas deverão ultrapassar os 40°C, especialmente no Interior Norte, Centro e Alentejo.

O que está a provocar esta situação?

A origem desta onda de calor encontra-se numa massa de ar muito quente proveniente do Norte de África, que será transportada para a Península Ibérica por uma configuração atmosférica favorável.

O resultado será uma subida acentuada das temperaturas e vários dias consecutivos de calor intenso, acompanhados por noites progressivamente mais quentes.

Onde fará mais calor?

As regiões mais afetadas deverão ser:

  • Vale do Douro;
  • Vale do Tejo;
  • Beira Baixa;
  • Alentejo Interior;
  • Vale do Guadiana.

Localidades como Castelo Branco, Santarém, Coruche, Mora, Évora, Beja, Moura e Amareleja poderão registar alguns dos valores mais elevados do país.

Em alguns pontos do interior não será de excluir a aproximação aos 45°C.

Os 50°C são uma previsão?

Nos últimos dias surgiram notícias e publicações que apontam para temperaturas próximas dos 50°C em Portugal.

Importa, contudo, distinguir entre um cenário extremo apresentado por um modelo meteorológico e uma previsão propriamente dita.

Os modelos numéricos geram diariamente diferentes soluções e cenários. O trabalho do meteorologista consiste precisamente em interpretar essa informação, analisar a consistência entre modelos e avaliar o grau de confiança associado a cada cenário.

Por esse motivo, uma previsão não deve ser construída com base numa única saída de um modelo a vários dias de distância.

Isto não significa que o calor não vá acontecer. Pelo contrário. A ocorrência desta onda de calor apresenta atualmente um elevado grau de confiança. O que continua a apresentar maior incerteza é a temperatura máxima exata que será atingida em cada região.

Em meteorologia, tão importante como analisar um modelo é saber interpretar a incerteza associada à previsão.

O impacto nos incêndios rurais

Do ponto de vista da Proteção Civil, uma das principais preocupações associadas a este episódio será o agravamento do perigo de incêndio rural.

Muitas vezes existe a ideia de que o perigo depende apenas da temperatura máxima registada. Na realidade, o comportamento do fogo depende da combinação de vários fatores, entre eles a temperatura, a humidade relativa do ar, o vento, o estado da vegetação e a duração do período quente.

É precisamente esta persistência do calor que merece maior atenção.

Após vários dias consecutivos de temperaturas elevadas, os combustíveis finos, como ervas secas, matos, caruma , perdem rapidamente humidade, tornando-se mais suscetíveis à ignição e favorecendo uma propagação mais rápida dos incêndios.

Outro fator relevante será a recuperação noturna. As noites tropicais previstas para muitas regiões dificultam o arrefecimento do ambiente e impedem que a vegetação recupere parte da humidade perdida durante o dia.

Na prática, isto significa que a vegetação permanecerá progressivamente mais seca ao longo da semana.

Caso o cenário previsto se confirme, será expectável um agravamento significativo dos índices meteorológicos de perigo de incêndio, sobretudo no Interior Centro e Sul do país.

Importa ainda recordar que a maioria dos incêndios continua a ter origem humana. Num contexto de calor persistente e baixa humidade, uma pequena ignição poderá evoluir rapidamente para um incêndio de maiores dimensões.

O que poderá acontecer?

Se o cenário atual se confirmar, poderão verificar-se:

  • Índices de perigo de incêndio Muito Elevado ou Máximo;
  • Maior facilidade de ignição da vegetação;
  • Propagação mais rápida dos incêndios;
  • Aumento do número de ocorrências associadas a atividades agrícolas e florestais;
  • Maior exigência operacional para bombeiros e agentes de proteção civil.

Mais do que um valor extremo de temperatura num único dia, é a acumulação de vários dias consecutivos de calor intenso que normalmente cria as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de incêndios rurais.

Efeitos na população

O calor intenso poderá provocar:

  • Desidratação;
  • Insolações;
  • Agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias;
  • Desconforto térmico durante a noite;
  • Aumento do consumo de água e energia.

Os grupos mais vulneráveis continuam a ser idosos, crianças, doentes crónicos e trabalhadores expostos ao sol.

Medidas de autoproteção

Durante este período recomenda-se:

  • Beber água regularmente;
  • Evitar exposição solar entre as 11h e as 17h;
  • Utilizar roupa leve e clara;
  • Evitar esforços físicos nas horas mais quentes;
  • Nunca deixar crianças ou animais dentro de veículos;
  • Evitar o uso de fogo em espaços rurais;
  • Redobrar os cuidados durante trabalhos agrícolas e florestais;
  • Manter os terrenos limpos junto às habitações.

Conclusão

Tudo indica que Portugal irá enfrentar uma onda de calor significativa durante a próxima semana, com a próxima quarta-feira a surgir como o dia potencialmente mais quente deste episódio.

Mais importante do que discutir valores extremos é compreender os impactos que vários dias consecutivos de calor poderão ter na saúde pública, no território e no perigo de incêndio rural.

Os próximos dias deverão ser acompanhados com atenção, não apenas pelas temperaturas previstas, mas também pelos efeitos que esta situação poderá provocar.

 

Nos próximos dias, para além das previsões meteorológicas, será importante acompanhar a evolução do perigo de incêndio rural.

O MeteoEstrela disponibiliza uma página dedicada ao perigo de incêndio rural e bem-estar, com informação atualizada por concelho.

Consulte aqui:
Perigo de Incêndio Rural e Bem-Estar – MeteoEstrela

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