Muito calor durante o dia e noites tropicais: o que esperar da nova onda de calor

Nova onda de calor a caminho de Portugal. O que esperar nos próximos dias?

Os modelos meteorológicos apresentam uma elevada concordância quanto à evolução da situação, apontando para uma intensificação gradual do calor ao longo da semana. Tudo indica que quarta, quinta e sexta-feira serão os dias mais quentes, com temperaturas superiores a 40°C em diversas regiões do país.

Mais do que os valores máximos previstos, será a persistência do calor durante vários dias consecutivos que poderá ter maior impacto no território e na população.


O que está a provocar esta situação?

Esta onda de calor será provocada pela instalação de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África, transportada para a Península Ibérica por uma circulação de sul/sudeste em altitude.

Os mapas meteorológicos mostram temperaturas muito elevadas a cerca de 1500 metros de altitude (nível de 850 hPa), um dos principais indicadores utilizados para avaliar o potencial de temperaturas elevadas à superfície.

A ausência de precipitação significativa e a forte insolação irão favorecer um aquecimento progressivo do território ao longo dos próximos dias.


Onde fará mais calor?

As temperaturas mais elevadas deverão registar-se nas regiões tradicionalmente mais quentes do país, destacando-se:

  • Vale do Douro;
  • Vale do Tejo;
  • Beira Baixa;
  • Alentejo Interior;
  • Vale do Guadiana.

Localidades como Castelo Branco, Santarém, Coruche, Mora, Évora, Beja, Moura e Amareleja poderão ultrapassar os 40°C, sendo mesmo possível que alguns locais do interior se aproximem dos 43 a 45°C, caso os cenários mais quentes se confirmem.

Nas regiões do litoral, a influência marítima continuará a moderar as temperaturas, embora também aqui se espere uma subida dos valores máximos.


As noites também serão muito quentes

O impacto desta situação não se fará sentir apenas durante o dia.

As temperaturas mínimas deverão aumentar gradualmente, originando noites tropicais em muitas regiões do país, isto é, noites em que a temperatura não desce abaixo dos 20°C.

Nas regiões mais quentes do interior não se exclui mesmo a possibilidade de ocorrerem noites equatoriais, quando a temperatura mínima permanece igual ou superior a 25°C.

Estas noites quentes dificultam a recuperação térmica do organismo, aumentando o desconforto, sobretudo entre idosos, crianças, doentes crónicos e trabalhadores expostos ao calor.

Além dos impactos na saúde, a ausência de arrefecimento noturno impede igualmente a recuperação da humidade da vegetação, contribuindo para um agravamento do perigo de incêndio rural.


Humidade relativa muito baixa

Outro aspeto que merece especial atenção será a humidade relativa do ar.

Durante as horas de maior aquecimento, prevê-se que a humidade relativa desça para valores muito baixos em várias regiões do interior, podendo mesmo atingir valores inferiores a 20%.

Esta combinação entre temperaturas muito elevadas e humidade reduzida cria um ambiente extremamente seco, favorecendo a rápida secagem da vegetação.


O impacto no perigo de incêndio rural

Uma das principais preocupações associadas a esta onda de calor será o aumento do perigo de incêndio rural.

Importa recordar que o perigo de incêndio não depende apenas da temperatura máxima registada.

O comportamento do fogo resulta da combinação entre:

  • temperatura do ar;
  • humidade relativa;
  • vento;
  • estado dos combustíveis vegetais;
  • duração do episódio quente.

É precisamente esta conjugação de fatores que poderá tornar os próximos dias particularmente exigentes.

Após vários dias consecutivos de calor intenso, os combustíveis finos — como ervas secas, matos, caruma e folhada — perdem rapidamente humidade, tornando-se muito mais suscetíveis à ignição.

Caso ocorra uma ignição, existe maior probabilidade de propagação rápida, sobretudo nas horas de maior calor e menor humidade.

Importa igualmente recordar que a maioria dos incêndios continua a ter origem humana. Durante episódios desta natureza, qualquer comportamento negligente poderá ter consequências graves.


Mais importante do que a temperatura máxima

Nos últimos dias tem-se falado muito nos valores máximos que poderão ser atingidos.

Contudo, do ponto de vista meteorológico e operacional, mais importante do que discutir se serão registados 42°C, 43°C ou 45°C, é compreender que Portugal poderá atravessar vários dias consecutivos de calor muito intenso.

É precisamente essa persistência que aumenta o desconforto térmico, agrava a secagem da vegetação e potencia o aumento do perigo de incêndio rural.


Efeitos esperados

Se o cenário atualmente previsto se confirmar, poderão verificar-se:

  • temperaturas superiores a 40°C em várias regiões do interior;
  • noites tropicais em muitas localidades;
  • humidade relativa muito baixa durante a tarde;
  • agravamento significativo do perigo de incêndio rural;
  • aumento do desconforto térmico;
  • maior risco de desidratação e insolação;
  • aumento do consumo de água e energia.

Medidas de autoproteção

Durante este episódio recomenda-se:

  • Beber água regularmente, mesmo sem sede;
  • Evitar exposição solar entre as 11h00 e as 17h00;
  • Utilizar roupa leve, clara e proteção solar;
  • Evitar esforços físicos durante as horas de maior calor;
  • Nunca deixar crianças, idosos ou animais dentro de veículos estacionados;
  • Redobrar os cuidados com pessoas mais vulneráveis;
  • Evitar qualquer utilização de fogo em espaços rurais;
  • Adiar trabalhos agrícolas e florestais que possam produzir faíscas ou fontes de ignição;
  • Acompanhar diariamente a evolução do perigo de incêndio rural.

Acompanhe a evolução

As previsões apresentam atualmente um elevado grau de confiança quanto à ocorrência desta onda de calor, embora a intensidade e a duração possam ainda sofrer pequenos ajustes nas próximas atualizações.

Consulte também a nossa página dedicada ao Perigo de Incêndio Rural e Bem-Estar, onde poderá acompanhar diariamente a evolução das condições meteorológicas e dos índices de perigo para o seu concelho.

Porque mais importante do que conhecer a temperatura máxima prevista é compreender os impactos que vários dias consecutivos de calor poderão ter na população, no território e no risco de incêndio rural.

 

O MeteoEstrela disponibiliza uma página dedicada ao perigo de incêndio rural e bem-estar, com informação atualizada por concelho.

Consulte aqui:
Perigo de Incêndio Rural e Bem-Estar – MeteoEstrela

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